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O lado bom do Ato Médico – Cristian Mondadori Maio 13, 2006

Posted by psicoativos in Ato Médico.
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Tanto tempo esteve em pauta preocupando (se é que ainda não preocupa) esse tal de Ato Médico. Motivo de protestos nas ruas do país inteiro e razão da indignação de grande parte dos profissionais da área da saúde, com exceção da medicina, é claro. Ainda lembro quando em uma aula de Ética profissional, este assunto foi levantado e eu me apresentei contra um grande número de pessoas defendendo em partes o Ato Médico.

Bom, antes de qualquer explicação, que fique claro, eu assinei o abaixo assinado e também participei das manifestações nas ruas contra este ato. Porém há um ponto a ser analisado, o qual possivelmente passou em branco na mente de grande parte dos alunos e dos profissionais atingidos pela proposta.

O Ato Médico previa que o indivíduo que desejasse procurar o serviço de psicologia, por exemplo, não o poderia fazer sem o encaminhamento prévio de um médico. Pensando friamente, um absurdo, mas a questão é a seguinte: E se um paciente solicitar os serviços de psicologia por estar enfrentando sintomas como depressão e nervosismo, o que fazer? A princípio usaríamos das técnicas psicológicas aprendidas para tratá-lo. Tudo bem, mas e se o paciente na verdade estiver enfrentando um problema de deficiência de vitamina B12? Sim, porque a baixa desta vitamina no organismo produz os sintomas descritos anteriormente. Outro exemplo: O paciente traz sintomas como ansiedade excessiva, nervosismo e distúrbios visuais assim como vários outros sintomas associados. Teríamos condições de entender que o problema aqui não é nem Transtorno de ansiedade generalizada, nem problemas psicóticos mas sim um feocromacitoma? Acredito que não. Penso que a maioria dos psicólogos trataria um problema orgânico como sendo psicológico, sem condições de identificá-lo corretamente, o que na minha opinião demonstra incompetência. E assim como os exemplos citados acima, existem outros. Eis então, na minha opinião, o lado bom do Ato Médico. De alguma forma, pensando numa medicina muito capacitada, os problemas orgânicos que apresentam sintomas psicológicos seriam identificados antes de chegarem nas mãos dos psicólogos, evitando grandes problemas.

Porém, e aqui está o porque do meu repúdio ao dito ato, o contrário também poderia ocorrer. Uma criança com problemas de concentração ou depressão que fosse encaminhada primeiramente ao serviço médico, poderia receber uma carga de medicação para resolver o problema sem atingir a verdadeira causa do seu aparecimento, um conflito familiar por exemplo. E aqui a competência é dos psicólogos, os quais estão capacitados para compreender corretamente diferentes problemas clínicos. Deveria portanto haver um Ato Psicológico?

Mas analisando a questão levantada anteriormente sobre os problemas orgânicos que manifestam sintomas psíquicos, acredito que nem os alunos nem a grande maioria dos profissionais de psicologia estão preparados para fazer este entendimento, o que é uma lástima, pois vidas podem perder-se em nossas mãos, e isto de maneira nenhuma é um pensamento fatalista, pelo contrário, é uma realidade.

Não é incomum ouvir nos corredores da universidade o desejo dos alunos de se especializarem em determinada área, ou pós-graduar-se, cursar um mestrado etc… Nada contra, mas fico pensando: Não seria melhor antes de querer buscar aprofundar conhecimentos aprendidos, procurar aprender o básico? Parece que não…